BC aponta cenário de incerteza e redução menor da taxa de juro

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BRASÍLIA  –  O Banco Central (BC) reconheceu que, neste momento, as projeções condicionais do Comitê de Política Monetária (Copom) envolvem maior grau de incerteza e que uma redução moderada do ritmo de queda do juro deve se mostrar adequada em seu próximo encontro. Ressalvou, porém, que o ritmo de corte continua dependendo da evolução do cenário econômico. As observações constam da ata divulgada nesta terça-feira da última reunião do colegiado, ocorrida na semana passada.

Os integrantes do Copom concluíram que não há relação direta e mecânica entre os possíveis efeitos do aumento da incerteza no cenário político e a política monetária. “A flexibilidade do regime de metas para a inflação permite ao comitê adequar a política monetária aos possíveis cenários prospectivos”, diz o texto.

Avaliaram ainda que o aumento da incerteza no campo político pode ter impacto tanto deflacionário quanto inflacionário. “Por um lado, consideram que a manutenção, por tempo prolongado, de níveis de incerteza elevados sobre a evolução do processo de reformas e ajustes na economia pode ter impacto negativo sobre a atividade econômica e, portanto, desinflacionário”, afirma o documento. “Por outro lado, o impacto da incerteza sobre a formação de preços e sobre as estimativas da taxa de juros estrutural pode ter direção oposta.”

O Copom teve dúvidas se era adequado sinalizar como próximo passo uma possível redução no ritmo de corte dos juros. De um lado, os participantes do colegiado argumentaram que as incertezas em relação ao cenário básico, que pode se mostrar mais inflacionário ou mais desinflacionário que o atual, e ao balanço de risco recomendavam “não conjecturar” sobre possível ritmo a ser adotado no futuro.

De outro, o colegiado salientou a necessidade de, neste momento, oferecer um direcionamento para reduzir a incerteza e o “escopo” de possibilidades.

“Os membros concluíram por sinalizar que uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária deve se mostrar adequada em sua próxima reunião, mas ressaltar que esse ritmo continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação”, diz a ata.

Na semana passada, o Copom cortou a Selic em 1 ponto, para 10,25% ao ano.

Sobre a cena externa, o colegiado nota que, até o momento, o cenário tem se mostrado favorável, na medida em que a atividade econômica global mais forte tem mitigado os efeitos de possíveis mudanças de política econômica nos países centrais.

Os integrantes do Copom destacaram a evolução positiva recente da economia global, a despeito das incertezas associadas a possíveis mudanças na política econômica nos Estados Unidos, à evolução dos preços de commodities, ao apetite por ativos de economias emergentes e aos rumos da economia chinesa.

O grupo ressaltou, ainda, que a economia brasileira apresenta hoje uma maior capacidade de absorver eventual revés no cenário internacional, devido à sua situação mais robusta de balanço de pagamentos e ao progresso no processo desinflacionário e na ancoragem das expectativas.

Por Alex Ribeiro e Eduardo Campos | Valor http://www.valor.com.br/financas/4994110/bc-aponta-cenario-de-incerteza-e-reducao-menor-da-taxa-de-juro

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