Investidor deve operar de olho no curto prazo

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Diante da deterioração da crise política, que pode atrasar a votação das reformas estruturais e culminar com a saída do presidente Michel Temer do governo, os investidores devem se concentrar em operações de curto prazo na bolsa, enquanto reavaliam o cenário e suas estratégias para o mercado. A expectativa é de alta volatilidade no Ibovespa, principal índice de ações no mercado brasileiro.

Depois da forte correção da bolsa na quinta-feira, após as notícias envolvendo as primeiras denúncias contra o presidente – o Ibovespa perdeu 8,8%, cerca de 6 mil pontos, em um único pregão -, os mercados registraram uma pequena correção na sexta-feira, de pouco mais de mil pontos, alta de 1,69%. A leitura foi que a reação pode ter sido exagerada, ou seja, puramente técnica. Até porque havia um fim de semana à frente para o desenrolar da crise.

Na avaliação de Marco Tulli Siqueira, gerente de mesa Bovespa da Coinvalores, os mercados ainda não colocaram na conta uma possível saída do presidente. Segundo ele, isso derrubaria a bolsa para perto de 57 mil pontos. “Quando o mercado começar a precificar esse fator, a bolsa pode cair mais 5 mil pontos”, diz.

Axel Christensen, estrategista-chefe da BlackRock para América, diz que as perspectivas para os mercados daqui para frente vão depender de quão rápido será alcançada uma solução institucional para o país. “A situação no Brasil ainda é incerta. Os eventos recentes são significativos para a administração Temer e foram deflagrados dias antes de o Congresso aprovar a reforma da Previdência, essencial para o ajuste fiscal.”

Apesar da instabilidade na bolsa de valores, o mercado não ainda colocou integralmente na conta a não aprovação das reformas estruturais. Para Domingos Falavina, responsável pela cobertura financeira para América Latina do J.P. Morgan, o preço das ações ainda não reflete essa possibilidade. “A não aprovação das reformas ao meu ver geraria ainda mais perda de valor econômico”, diz.

Outro ponto de incerteza do mercado financeiro é saber se os investidores estrangeiros continuarão a direcionar recursos para o país. Falavina acredita que o fluxo de recursos externos será definido muito mais em função do ajuste fiscal do que pela crise política. Neste mês, até o dia 17 de maio, os estrangeiros colocaram R$ 759 milhões na bolsa. No ano, o saldo é positivo em R$ 4,1 bilhões.

Na visão de André Gordon, sócio-gestor da GTI Administração de Recursos, a reestruturação do Brasil seguirá em curso, o que abre oportunidades de compra a partir das recentes quedas das ações. “Temos um horizonte de longo prazo, então entendemos que altos e baixos fazem parte do dia a dia.” Para ele, a reforma da Previdência não acabou, mas foi adiada.

Beatriz Fortunato, sócia da Studio Investimentos, disse que aproveitou as correções para mexer um pouco na carteira. A Petrobras, por exemplo, ganhou espaço no portfólio da gestora. “A empresa se beneficia de uma elevação do dólar e, mesmo com uma eventual mudança na administração federal, acreditamos que Pedro Parente continuaria na presidência, mantendo a estratégia da companhia.”

O movimento de alta de 1,69% da bolsa na sexta-feira foi sustentado justamente pelas ações do setor de commodities, que são menos afetadas pelo cenário local. As ações do setor de minério e siderurgia tiveram forte alta, puxadas pela valorização de 1,8% no preço da tonelada do minério no porto de Qingdao, na China, para US$ 62,69. As ações da Vale, que haviam sofrido menos durante os primeiros dias da crise, subiram em menor intensidade. Os papéis PNA ganharam 0,63% e as ações preferenciais tiveram alta de 1,79%.

Os papéis da Petrobras também encerraram o pregão em alta, seguindo a valorização do preço do petróleo no mercado internacional. Os papéis preferenciais subiram 3,50% e os ordinários tiveram alta de 1,61%.

Outro setor de destaque foi o financeiro. Na sexta-feira, as ações dos bancos recuperavam parte das perdas do dia anterior, com destaque para os papéis do Banco do Brasil, que subiram 3,32%. Foco dos novos desdobramentos da crise política, as ações da JBS subiram 1,52%.

A situação das empresas que precisam refinanciar suas dívidas tanto no mercado de capitais internacional como no local é outro ponto de atenção. A piora da percepção de risco pode dificultar o acesso aos mercados, com reflexos no preço das ações.

Na sexta-feira, o diretor da agência de rating Fitch no Brasil, Rafael Guedes, disse que está atento à reação do mercado internacional às empresas brasileiras que precisam renegociar suas dívidas, uma vez que isso pode impactar a economia como um todo e o rating do país no futuro. “As turbulências vividas pelo governo nos últimos dias deixam a aprovação de reformas mais distantes”, disse. A agência reafirmou a nota de crédito do Brasil em “BB” com perspectiva negativa.

Por Chrystiane Silva, Denyse Godoy e Estevão Taiar | Valor Econômico

Para ler a notícia na íntegra acesse: http://www.valor.com.br/financas/4975604/investidor-deve-operar-de-olho-no-curto-prazo

 

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