Mercado cansa de Brasília e se apega ao longo prazo

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Enquanto Brasília arde em um novo escândalo político que chegou ao presidente Michel Temeragora denunciado, e apenas um ano após o impeachment de Dilma Rousseff, o mercado financeiro brasileiro parece muito mais comportado do que no período que antecedeu à saída da petista.

Neil Shearing, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, ressalta que os mercados financeiros estão dando de ombros para o contínuo ruído político.

“Isso, por sua vez, significa que, ao contrário do tumulto político do ano passado quando a presidente Dilma Rousseff foi retirada do cargo, as condições financeiras não se apertaram significativamente, o que deve limitar o dano econômico imediato”, ressalta.

Longo prazo

Os economistas Jason Daw e Amit Agrawal, do Société Générale, chamam a atenção para a pequena queda de 6% do real em relação ao dólar desde o melhor nível do ano. Os papéis da dívida brasileira subiram apenas 70 pontos-base e o Ibovespa recuou 10%. Os números, segundo eles, mostram que há um grande posicionamento de investidores com o foco no longo prazo no mercado local.

“Isso minimizou a correção até agora, mas pode exacerbar as perdas mais para frente”, alertam. O banco revisou para cima as estimativas para a taxa de câmbio para o ano, que passaram de R$ 3,37 para R$ 3,45 no terceiro trimestre deste ano e de R$ 3,40 para R$ 3,50 nos últimos três meses.

O banco francês comparou o comportamento dos mercados brasileiros no período anterior ao impeachment (de abril de 2015 a maio de 2016) e agora (a partir de maio do ano passado) usando os dados do índice GSCI, que abrange commodities, e a taxa de câmbio real versus o dólar.

No primeiro espaço de tempo, a correlação entre o índice e o câmbio era elevada, mas caiu fortemente no período atual. Desta forma, alerta o banco, caso a incerteza política aumente ainda mais, a relação entre o câmbio e o índice pode se tornar mais parecida com a vista entre abril de 2015 e maio de 2016, o que poria o real no patamar dos R$ 3,60.

2019 é logo ali

Os investidores parecem ter se cansado da confusão interminável em Brasília e, por isso, passaram a olhar o Brasil pós-eleições de outubro de 2018. Espera-se que um novo governo tenha capital político suficiente e apoio popular para avançar com as reformas econômicas, que agora parecem ter ficado de lado.

Segundo os economistas Rachel Ziemba e Pedro Tuesta, da Roubini Global Economics, que a coalizão enfraquecida pelas denúncias de corrupção não conseguirá levar adiante as votações e isso irá limitar a recuperação econômica e os cortes de juros, além de “criar o risco de um novo rebaixamento do rating”.

Dória é um “Macron brasileiro”, diz gestor

“Tudo isso confirma nossas preocupações de que a turbulência política seja uma distração das reformas. Não só a votação das reformas será atrasada, mas será mais difícil para as reformas receberem os 308 votos necessários”, ressaltam. Jan Dehn, gestor da britânica especializada em emergentes Ashmore, já jogou a toalha. “Se a administração Temer não conseguir obter aprovação, esperamos que a reforma seja aprovada no próximo governo”, destaca.

Segundo ele, o mercado precisa começar a fazer as suas apostas para a corrida presidencial de 2018. “Em nossa opinião, os investidores já deveriam estar se posicionando para o ‘trade João Dória‘”, explica o gestor Jan Dehn. A pesquisa mais recente do Datafolha, o prefeito de São Paulo teria 9% em uma disputa que considera a participação de Lula, que teria 31%. Sem Lula, Dória subiria a 11%.

“O prefeito de São Paulo é um jovem político do PSDB ao estilo de Macron, que não é afligido pelo ar de corrupção que se apega a outros membros do partido. Esperamos que Dória se torne presidente em 2018”, relata Dehn.

A economista e pesquisadora do Peterson Institute, Monica Baumgarten de Bolle, entende que para o país sair do atoleiro econômico é preciso mudar o governo. “Governos ilegítimos não conseguem fazer reformas – ou, quando conseguem, tais reformas não duram, pois, associadas ficam ao governo maculado que as pôs em andamento – caso da Argentina de Menem que no Kirschnerismo resultou”, disse ao Money Times.

Por Gustavo Kahil (Moneytimes)

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